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Prancha "A minha iniciação"

Segundo o dicionário Aurélio, um dos significados de iniciação é: "preparação pela qual se inicia alguém nos mistérios de alguma religião ou doutrina, e a cerimônia dela decorrente".

No catolicismo, a iniciação se dá através do "sacramento do batismo", e são aceitos três tipos de batismo:

- O primeiro é o de iniciação. É o sacramento comum a todos os cristãos. A igreja administra-o segundo a missão que o senhor lhe confiou: "ide... e fazei discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19);

- O segundo batismo aceito é o batismo de sangue, o qual é dado a uma pessoa que não sendo batizada morre na defesa da fé católica;

 
 
 
 

- O terceiro, é o batismo de desejo. Este batismo é concedido às pessoas que não tendo como chegar a um padre, e desejosos do batismo, morrem sem serem batizados. Devemos ressaltar que os dois últimos são muito raros na atualidade.

Remetendo-se a um passado distante, encontramos o escatológico João Batista, com o batismo de derramamento, onde podemos citar entre tantos significados, quatro traços que se distinguia dos seus precedentes judaicos:

1- já não tinha um caráter ritualístico, e sim moral, era praticamente um sinal de arrependimento dos pecados confessos pelos batizandos;

2- não havia repetição, o que se denotava um caráter de iniciação simbólica e inteiramente preparatório, com o intuito de despertar nos homens a necessidade de se reconciliarem com Deus;

3- Era escatológico, pois introduzia no grupo uma esfera diligente do messias que estava por vir, e constituía a antecipação de sua comunidade;

4- Era uma iniciação, pois preparava o povo para o Batismo Cristão, que passou a ser realizado após a "morte" de Jesus de Nazaré.

Há, porém, diversos rituais de batismo, de acordo com cada crença e religião. No entanto, a grande maioria, com predominância de purificação da alma em busca da salvação eterna e redenção dos "pecados".

Esse pequeno e fragmentado enunciado é apenas uma síntese da complexidade e abrangência que o tema nos remete.

Portanto, não me arrogaria a descrever a "iniciação maçônica", tal sua transcendência e profundeza que a torna inefável. Tentarei apenas traçar um breve relato do sentir a metànoia, que tem inicio no instante primeiro de iniciação à ordem.

É nesse instante subliminar que começamos sucumbir o homem velho; carregado de preconceito, superstição, fanatismo, orgulho, dominação, intolerância e privilégios, que adquirimos na sociosfera; imprimido pelas circunstâncias, que nos induz muitas vezes às estratégias e métodos competitivos, defensores de interesses e direitos peculiares e nem sempre coletivos, para emergir um novo ser em busca do cognitivo e de respostas a tantas perguntas que se intensificam no decorrer das viagens, através dos quatro elementos da natureza, que compõe o ritual de iniciação.

Tal iniciação nos remete aos primórdios da humanidade, com suas dificuldades, em um ambiente trágico, dramático e cheio de turbulências inerentes ao processo histórico "evolutivo", mas com perseverança conseguem vencer as adversidades e continuarem a trajetória humana superando etapas através da história.

É através das viagens que simbolicamente nos submetemos de olhos vendados, que entramos em contato com nossas fraquezas, mas, que ao final percebemos que não estamos sós e podemos contar com a fraternidade, força e sabedoria dos nossos irmãos a posteriori, para nos ajudar a emergir da caverna que ofusca nosso brilho e continuar uma nova viagem que está apenas começando; e precisamos aprimorar nossas ações em busca de sabedoria e desenvolvimento à prática da virtude; (...); em prol do gênero humano, do qual fazemos parte.

Vale ressaltar, que antes de sermos Maçons em Loja, somos agentes em busca da construção do ideal humano. A ordem nos proporciona amigos, ferramentas e instrumentos; que aprenderemos a interpretá-los e aplicá-los em prol do desenvolvimento dos conceitos éticos, moral, social, mental e espiritual, e um ambiente sociológico para a melhoria e aperfeiçoamento do nosso saber latente.

Sabemos que tal busca e prática do ideal Maçônico; (...), será interminável e árdua, mas, ao mesmo tempo prazerosa e gratificante, pois a nobreza da ação supera as dificuldades.

O êxtase de saber que encontramos o ambiente ao qual já pertencíamos a priori, porém, por razões adversas ainda não o tínhamos encontrado, é a certeza que doravante não somos apenas uma pequena família genicamente constituída, mas, uma grande família ligada intrinsecamente por laços de liberdade, fraternidade e igualdade; (...), no caminho do desenvolvimento de nossas faculdades intelectuais, para trilhar o nosso breve instante e superar as adversidades do porvir.

Saliente-se, que a beleza do ritual tem seu ápice, no momento em que nos encontramos entre colunas e nos é retirada a venda que outrora nos privara a visão, e nos encontramos envolto por irmãos, como que aguardando o nascimento de um novo membro para a grande família.

Por fim, sabemos que apenas demos o primeiro passo nos muitos degraus da infindável escada do universo maçônico.

Autor: Sob.'. Gr.'. M.'. Manoel Evangelista de Sá

 
 
 
        
 
     
     
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